Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina

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Alexandre Mello assume a presidência da Acasc e elenca cinco frentes de ação para o mercado cervejeiro catarinense

Foi confirmada na noite da última quarta-feira (19) a eleição da nova diretoria da Associação das Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc). Alexandre Mello, cervejeiro da Itajahy, assumiu a presidência da entidade pelos próximos dois anos e sucede Carlo Lapolli.

O vice-presidente será Daniel Regionatto e a diretoria é composta ainda por Érico Augusto Masera Marchi, Edgard Louro de Freitas e Leandro de Oliveira Schmitt. O conselho fiscal é Fabiano Massaneiro, Brunhard Borck e Sidernei Adriano Karsten.

A expectativa de Mello é de um biênio de aceleração das marcas artesanais locais e ele espera que a entidade seja uma apoiadora do empresariado do segmento. “Nós somos a primeira associação estadual ligada a este mercado, antes mesmo da criação da entidade nacional. Em 2018 completamos uma década e queremos contribuir ainda mais para que o movimento cervejeiro se profissionalize e expanda”, diz.

Mello elencou cinco frentes de atuação da Acasc para o seu mandato. Abaixo, um resumo de cada uma delas.

Questões tributárias

Santa Catarina foi o Estado pioneiro em estender a mão e enteder o que o mercado das cervejas artesanais significa para a economia ​regional​. Foi a primeira região à conceder um regime de benefício fiscal às microcervejarias, o que ajuda muito para uma concorrência menos desigual com as grandes marcas comerciais. Neste sentido, Mello destaca duas questões urgentes para o setor. A primeira é a perda de benefícios. “Há um movimento para a retirada dos benefícios de ICMS para as cervejarias artesanais em Santa Catarina. Estamos mobilizando representantes para que entendam o potencial do mercado no estado e apoiem o movimento “, comenta. Outra preocupação em relação ao ICMS diz respeito à entrada no Simples, que faria com que as indústrias que optassem pelo regime fiscal não tivessem acesso ao benefício.

A segunda questão importante para o setor é a tributação em relação às cervejarias ciganas. “Hoje é possível optar por duas formas de terceirização de produção no caso das ciganas. Ou o criador da cerveja atua apenas como distribuidor (e neste caso é a fábrica terceira que arca com os impostos) ou então a cigana pode ser a gestora e a fábrica atuar apenas como terceirização de serviços (neste caso, ela não tem acesso aos benefícios fiscais). Os ciganos são, hoje, uma das partes mais frágeis da cadeia. Precisamos que ele também tenha esse tipo de benefício”, explica Mello.

Profissionalização

Outro objetivo da nova diretoria é atuar na profissionalização dos atuais colaboradores de cervejarias em temáticas específicas e de maneira itinerante. “Investimento em qualificação de mão-de-obra é essencial para o crescimento e reconhecimento da cerveja catarinense pela sua excelência”, comenta Mello. A ideia é realizar capacitações em todas as regiões do estado, com demandas que sejam das próprias indústrias.

Combate ao comércio informal

Mello destaca a importância dos cervejeiros caseiros para o desenvolvimento do setor. No entanto, um dos objetivos da Acasc é atuar contra a venda ilegal deste tipo de marca e fomentar a legalização dos negócios cervejeiros. “Nós acreditamos em um mercado com condições igualitárias e na valorização da qualidade dos produtos. Por isso, além de auxiliarmos a fiscalizar a produção e venda ilegal, gostaríamos de estender a mão para os cervejeiros informais e auxiliá-los a regularizar suas operações”, aponta o novo presidente da entidade. “O mercado da cerveja está em expansão e por isso é importante mantermos a credibilidade para que todos ganhem”, finaliza.

Fortalecimento da Catharina Sour

A iniciativa criada em Santa Catarina para reunião de cervejarias em torno de um objetivo comum, a Catharina Sour será foco de mais ações da Acasc. Os workshops sobre a cerveja que já acontecem em todas as regiões de Santa Catarina e fora dela serão mantidos e a ideia é que marcas de todo o país adotem esse tipo de Sour. “Nós acreditamos muito na popularização deste estilo no Brasil e queremos que esta seja mais uma porta de entrada do consumidor para o mercado das artesanais do tipo sour”, acrescenta Mello.

Eu Bebo Cerveja Local em todo o estado

Ainda este ano, o movimento Eu Bebo Cerveja Local, que incentiva o consumo de cervejas regionais através de growlers e de um aplicativo que aponta onde estão as marcas mais próximas do consumidor, vai chegar a todo o estado. A previsão é que em outubro a iniciativa dos cervejeiros de Florianópolis seja expandida.

“Foi uma ótima sacada do cervejeiros da região de Florianópolis e tivemos todo o apoio dos criadores para que ampliássemos esse movimento. Estamos muito felizes em oferecer mais uma possibilidade para que o consumidor se relacione com as cervejas da sua região, além, é claro dos bares e retaurantes”, finaliza Mello.​​​

Acasc elege nova diretoria no dia 19 de julho

A Associação das Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc) elege na próxima quarta-feira (19) a diretoria que estará à frente da entidade pelos próximos dois anos. A eleição acontece a partir das 19h na Escola Superior de Cerveja em Malte (Rua Elsbeth Federsen, 72), em Blumenau (SC).

Carlo Lapolli, atual presidente, deixa a gestão depois de dois anos de liderança do movimento tá para se candidatar à presidência da Associação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Abracerva). O pleito para a entidade nacional acontece no dia 28 de julho, em São Paulo (SP).

Entre as conquistas desta gestão, ele destaca a participação na articulação para a inclusão da categoria no Simples Nacional e a criação da Catharina Sour. “Fizemos um trabalho colaborativo, com participação de todos e buscamos integrar o estado em uma região ainda mais forte no cenário cervejeiro nacional”, comenta.

A Acasc também teve papel ativo na estruturação do Vale da Cerveja, que estimula o turismo ligado à bebida no Vale Europeu. Apoiou ainda o movimento Eu Bebo Cerveja Local, criado por um grupo de cervejeiros de Florianópolis para estimular o consumo e o conhecimento sobre as marcas regionais.

​Incentivar as artesanais é ter benefícios além do copo

Carlo Lapolli
Presidente da Associação das Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc)

Mais de um mês depois do Festival Brasileiro da Cerveja e com a expectativa de novos eventos regionais e internacionais do segmento no estado, ainda são recorrentes as dúvidas do consumidor sobre o que é e quais os impactos da cerveja artesanal na economia local. Antes de mais nada, é preciso esclarecer que as cervejarias artesanais são aquelas que funcionam com todos os registros nos órgãos oficiais, não utilizam cereais transgênicos nas suas receitas e focam na qualidade sensorial dos seus produtos.

Mas a distinção sobre esse setor vai além disso. Enquanto nas marcas comerciais o objetivo é exclusivamente o lucro, as artesanais, além de precisarem ser rentáveis como qualquer negócio, também se motivam pela apresentação de novos sabores para o consumidor.

A cerveja artesanal é uma representante do que Santa Catarina tem a oferecer para o mundo: uma experiência gastronômica e turística diferente, produtos de qualidade e valor agregado.

A cultura cervejeira vai além do copo e os reflexos desta atividade também. É por isso que estamos buscando junto ao Governo do Estado e os órgãos responsáveis alguns incentivos como a ampliação do crédito presumido da operação própria e da substituição tributária de 13% para 20%.

Outra solicitação da Acasc e das cervejarias integrantes do movimento catarinense é que parte do recurso arrecadado com as cervejarias seja destinado a entidades de fomento ao turismo. Foram elas, junto com organizações de classe e a iniciativa privada, que possibilitaram que o Vale da Cerveja e o Caminho Cervejeiro já estivessem em operação, trazendo turistas para o estado.

O que pleiteamos nada mais é do que uma condição igualitária para chegar ao mercado demonstrando a qualidade que Santa Catarina tem. Queremos que o turismo seja uma ferramenta de renda para toda a população. Trabalhamos para que a cerveja transborde os copos e possamos brindar desenvolvimento econômico, os produtos de qualidade na mesa dos catarinenses e os empregos que o turismo gera.​

Oficialmente Capital Brasileira da Cerveja

Carlo Lapolli
Presidente da Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc)

Há registros de que Dr. Blumenau, na carta que enviava aos interessados em viver no Vale Europeu, pedia que eles trouxessem malte. Mais de 165 anos depois, comemoramos hoje o que a nossa história já nos apontava há décadas: Blumenau é a Capital Brasileira da Cerveja.

O projeto de lei de autoria do deputado Décio Lima (PT-SC) recebeu parecer favorável do senador Dalírio Beber (PSDB-SC) e foi votado na última quinta-feira (16). Agora, aguarda apenas a sanção presidencial.

Santa Catarina produz mais de 1 milhão de litros ao mês de cerveja artesanal, através de cerca de 50 marcas. São 300 rótulos diferentes. Embora o estado seja referência quando o assunto é a bebida, não dá pra negar a influência que Blumenau exerce sobre essa trajetória. Alguns exemplos deixam isso ainda mais claro.

Um dos mais óbvios é a Oktoberfest. Além de ser uma tradicional festa de cerveja e cultura alemã, ela evidencia a valorização do catarinense pela cerveja artesanal: as marcas locais são cada vez mais representativas no volume da bebida consumido na festa.

Em março, os olhos do mercado cervejeiro mundial se voltam para Blumenau com o Festival Brasileiro da Cerveja, o Concurso Brasileiro da Cerveja e a Feira Brasileira da Cerveja. Os eventos, retomados em 2010, já são considerados os mais importantes do país no segmento.

Durante todo o ano, a Escola Superior de Cerveja e Malte recebe centenas de alunos de todo o mundo. Turistas movimentam o Museu da Cerveja em busca de conhecimento sobre a produção e a história da bebida no município. Mais recentemente, o organizado Vale da Cerveja reúne informações para o turista que deseja vivenciar a experiência cervejeira.

Além de tudo isso, ainda temos as cervejarias. Premiadas nacional e internacionalmente, elas disseminam a marca de qualidade que a cidade imprimiu em setores como têxtil, tecnologia e informática também no sabor das suas receitas.

O que Blumenau era por fato, agora também é por direito. Cabe aos blumenauenses, cervejeiros, órgãos públicos e privados extrair resultados deste título para toda a sociedade. E se depender do que estamos vendo acontecer, não vai demorar muito.​

Presidente da Acasc desembarca em Brasília (DF) para acompanhar sanção da lei que pode reduzir impostos para microcervejarias

O presidente da Associação das Microcervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc), Carlo Lapolli, desembarca hoje (25) em Brasília (DF). Ele vai se unir a um grupo de empreendedores e líderes de entidades de classe que acompanham de perto a sanção da Lei do Simples pelo presidente Michel Temer, que deve acontecer na próxima quinta-fera (27). Há chance de veto ao setor.

Com a nova lei, destilarias, vinícolas e cervejarias artesanais passam a integrar o Simples Nacional e a carga tributária que incide sobre elas deixa de ser a mesma aplicada aos grandes produtores nacionais e internacionais. “As marcas artesanais empregam mais por litro, são mais preocupadas com a qualidade do produto e fabricam em menor escala. Mesmo assim, pagam a mesma tributação de conglomerados como Ambev e Brasil Kirin”, explica Lapolli. Hoje, a incidência de impostos sobre o faturamento chega próximo a 60% e, com a nova lei, essa alíquota fica próxima de 32%.

O encontro das lideranças nacionais do setor em Brasília tem como objetivo o esclarecimento e a busca de apoio entre senadores e deputados para que o veto não aconteça.

Só em Santa Catarina, são produzidos por mês mais de 1 milhão de litros da bebida. São cerca de 50 fabricantes que devem investir, só este ano, mais de R$ 22 milhões.

Incentivo e bom exemplo
Em Santa Catarina, há sete anos, as microcervejarias artesanais tem um benefício no Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) há sete anos. Nos últimos quatro, o número de marcas de cerveja triplicou. Lapolli diz que o estado foi um dos precursores neste movimento.

No Rio Grande do Sul, outro bom exemplo de como uma redução de carga tributária auxilia na formalização de negócios e, em médio prazo, impacta na arrecadação. No estado, o ICMS para microcervejarias artesanais foi reduzido pela metade e, em dois anos, a arrecadação dobrou. As informações são de Alberto Nascimento, diretor de Relações Institucionais da Abracerva.

Número de marcas catarinenses de cerveja triplicou nos últimos quatro anos e produção passa de 1 milhão de litros ao mês

O crescimento das cervejas artesanais em Santa Catarina é perceptível nos supermercados, empórios e restaurantes. E, pela primeira vez, a Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc) realizou um levantamento dos números do segmento no estado, que comprovou esta expansão: as marcas catarinenses atingiram a produção mais de 1 milhão de litros ao mês.

A pesquisa ouviu 42 marcas. Dessas, 35 possuem fábricas, seis são ciganas (terceirizam a produção) e uma é brewpub (bar que fabrica a própria cerveja). As pesquisadas são responsáveis por 302 rótulos diferentes. A Acasc também questionou os investimentos realizados em 2016. Juntas as que foram ouvidas investiram mais de R$ 22 milhões.

Carlo Lapolli, presidente da entidade, comenta que o estado é destaque nacional no segmento. “Além de algumas das mais antigas fábricas do país, somos reconhecidos em todo o Brasil por sediarmos o Festival Brasileiro da Cerveja e a Escola Superior de Cerveja e Malte. Vivemos um momento importante em que estamos indo além da tradição e mostrando ao consumidor a variação de sabores que a bebida pode oferecer”, comenta.

A estimativa é de que 80% das marcas tenham respondido ao levantamento. Entres as pesquisadas, 15 estão no Vale do Itajaí e 11 na Grande Florianópolis. As demais se dividem entre Norte, Oeste e Sul. São 28 municípios que registram atividades cervejeiras – cerca de 10% do total do estado.

Número de marcas triplicou
Não é surpresa para quem acompanha o setor de que houve uma grande expansão recentemente. A pesquisa mostrou, no entanto, que o número de marcas de cerveja artesanal praticamente triplicou em Santa Catarina nos últimos quatro anos: foram 28 novos negócios iniciados de 2013 e 2016. Dos 42 entrevistados, apenas 14 começaram a sua trajetória de 1994 até 2012.

“Este resultado é efeito de alguns movimentos, como a solidificação do Festival Brasileiro da Cerveja e a entrada das cervejas artesanais na Oktoberfest. Se intensificou com o acesso facilitado aos equipamentos e materiais necessários para produzir cerveja em casa. Grande parte dos sócios ou proprietários das novas cervejarias descobriu as artesanais através dos eventos, criou receitas na panela e resolveu empreender”, explica o presidente da Acasc.

Carlo destaca o consumidor como maior incentivador do segmento. “O interesse por novos sabores movimenta o mercado, valoriza a indústria local e motiva negócios diferenciados”, finaliza.

 

Cerveja artesanal é tema de exposição no Beiramar Shopping

De 12 a 18 de setembro o Beiramar Shopping apresenta aos clientes uma exposição diferenciada: traz a história e todo o processo de fabricação da cerveja artesanal, com foco no cenário da Grande Florianópolis. Serão 11 painéis fotográficos de autoria do fotógrafo e sommelier de cerveja Diego Simão Rzatki, intitulada Do Grão ao Growler, com fotos e legendas explicativas, contendo: a receita, o grão, a água, o lúpulo, o cozimento do grão, a fermentação, o barril, as choppeiras e o growler.

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“A iniciativa faz parte do projeto ‘Eu Bebo Cerveja Local’, uma ação com foco no associativismo e que visa divulgar a produção de cerveja da Grande Florianópolis”, comenta Diego Simão Rzatki.

Um dos grandes destaques da exposição é a disseminação dos chamados “growlers”, que são garrafas retornáveis com fechamento hermético utilizadas para que o consumidor leve o chope para casa, incentivando o consumo das cervejas da região.

“Na exposição o público poderá conhecer o processo de fabricação até o engarrafamento da cerveja, bem como as peculiaridades das cervejas produzidas na Grande Florianópolis”, explica o expositor.

“Nosso objetivo é abrir mais um canal para divulgação e o diálogo com o público sobre a produção de cerveja local, visando cada vez mais o desenvolvimento econômico da região”, finaliza o gerente de marketing do Beiramar Shopping, Carlos Pamplona Jr.

Serviço
O que: Exposição Do Grão ao Growler
Quando: 12 a 18 de setembro
Onde: Piso L1 no Beiramar Shopping

[Artigo] 10 dicas para um cervejeiro cigano

Por Carlo Lapolli
Presidente da Acasc

 

Quando a paixão cresce e a vontade de transformar seu hobby em negócio inicia, o cervejeiro caseiro tem que buscar algumas informações. Afinal, entrar em um mercado competitivo como o da cerveja, demanda conhecer bem o seu consumidor e especialmente as regras de negócios aplicáveis. A tributação da cerveja, por exemplo, é das mais complexas do Brasil. Cada estado da federação tem uma tributação própria de ICMS. Isso demanda conhecimento e estudo.

Aqui vão algumas dicas para quem quer empreender nesta área.

1) Legalize-se. Fazer cerveja em casa não é ilegal. Porém, comercializar a sua cerveja não é permitido. Para vender sua produção, o cervejeiro deve estar registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Além disso, você tem que ter uma empresa, um CNPJ, que segundo a atual legislação não pode ser uma empresa do regime “simples”.

2) Para ser cigano, você não precisa ter uma fábrica. Na verdade, você vai produzir em uma fábrica legalizada e “comprar” sua produção para revender. A fábrica cuidará dos trâmites burocráticos do registro de sua receita. Faça um contrato deixando claro as obrigações de cada parte.

3) Pense além da cerveja. A cerveja, o produto em si é importante, mas tão importante quanto o que vai dentro da garrafa, é todo o conceito de sua marca. Registre sua marca. Existem escritórios de marcas e patentes que vão lhe auxiliar para ter o registro e a proteção para que ninguém utilize indevidamente a sua

4) Pense em todos os atributos de sua cerveja. É importante na definição da receita e escolha de estilo de seu mix de produtos, que você enxergue além da própria cerveja. Pense na identidade visual, no seu rótulo, no tamanho do vasilhame, no preço que o produto vai chegar ao mercado, na comparação com a concorrência e na comunicação com o consumidor. Uma boa agência de marketing vai lhe ajudar muito.

5) Tenha souvenirs bacanas. Lembre-se que o faturamento de sua “Cervejaria Cigana” pode vir não só da cerveja em si, mas da exploração de outros itens e souvenirs de sua marca. Com pouco dinheiro, você consegue ampliar o seu faturamento e alavancar suas vendas. A percepção do consumidor também vai melhorar com um mix de souvenirs legais.

6) Tenha uma sede. Mesmo que você não tenha a cervejaria, você precisará de um espaço. Lógico que você poderia armazenar o seu estoque no quarto de costura de sua mãe. Mas isso não é profissional. Pense em ter uma sede, um local que você possa montar um showroom com toda sua linha de produtos, ter uma pequena câmara fria para barris, e eventualmente até um bar. Lógico que o bar exige um maior investimento, mas se não der, tenha pelo menos um local que você possa promover um dia de recarga de growler, por exemplo.

7) Coloque todas estas ideias no papel. Fazer um plano de negócios, planejando suas metas de vendas, preço de mercado e expectativas de aumento de produção são fundamentais. Se o hobby se tornará sua profissão, pense em quanto você precisará ganhar para trabalhar pela sua empresa. As vezes, uma boa ideia pode não ser viável financeiramente. Faça contas e discuta seu plano com alguém experiente em negócios.

8) Entenda muito bem dos tributos. Como falamos, a parte mais sensível da venda de cervejas é a tributação. Entenda quais os seus custos tributários, e quanto custará vender para outros estados. Quando você é cigano, a fábrica que produziu para você já terá recolhido os tributos e inclusive o ICMS ST. Ou seja, se você vender para dentro do estado, não haverá uma nova tributação de ICMS, mas se você vender para fora, deverá pagar uma diferença. Peça auxílio para o seu contador para montar uma tabela simulando as vendas para os estados que serão seu mercado alvo.

9) Aproxime-se das cervejarias e dos cervejeiros caseiros. As associações das cervejarias como a Acasc, de Santa Catarina, já permitem a participação das ciganas em seus quadros. Participar de uma associação reforçará sua marca e ajudará você com a troca de experiências. Da mesma forma, mantenha um laço estreito com os cervejeiros caseiros. Se você veio desse movimento, terá feito um bom número de amigos. Os caseiros são nosso mercado primário e além de consumirem boas cervejas artesanais, são multiplicadores e formadores de opinião.

10 ) Jamais venda sua produção caseira. Pode parecer tentador vender uma produção. Eventualmente, rachar a produção de uma leva é aceitável, faz parte para manter o hobby. Mas o que não pode acontecer é rotular sua cerveja e manter pontos de vendas fixos como se fosse uma cervejaria. Além de ser ilegal por não estar registrado no MAPA, você está praticando uma concorrência desleal. Pode ter os produtos apreendidos e gerar uma autuação para si e inclusive para o ponto de venda que comercializa este produto. Pense que muitas cervejarias estão surgindo fruto da dedicação de quem está fazendo a coisa de forma correta. Além do próprio registro do MAPA (que não é complicado) a venda de cerveja “pirata” é feita de maneira irregular, sem nota fiscal e com sonegação fiscal. Lógico que num mercado onde o produto sofre até 50% de tributação, vender sem nota um produto irregular é concorrência desleal. Existem nanocervejarias que produzem menos de 2 mil litros por mês e estão regularizadas. Pense como seria desleal você não ter nenhuma obrigação legal e nenhum imposto para pagar frente a este cervejeiro. Se você não concorda com a legislação atual, lute para mudá-la, e não para burlá-la.

[Artigo] Santa Catarina: um estado cervejeiro

Carlo Lapolli
Presidente da Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina (Acasc)

 

Não dá pra negar que a tradição cervejeira em Santa Catarina começou com os imigrantes alemães que desembarcaram no Vale Europeu. Mas também é impossível não perceber que a cultura da cerveja artesanal, seus benefícios para a economia e o desenvolvimento de uma indústria de apoio a esse setor já tomou o estado de Norte a Sul.

Muito inspirados pela cultura cooperativista dos vitivinicultores que construíram uma história de reconhecimento para o estado no segmento, também estamos apostando no cooperativismo e na colaboração entre as empresas para aprender e despontar.

Mapeamos, através da Acasc, mais de 50 marcas de cerveja atuando ou em implantação em Santa Catarina. Algumas com fábricas próprias, outras com produção terceirizada. Elas estão localizadas em 32 cidades que vão desde os maiores do estado até municípios com menos de 20 mil habitantes. Isso significa que, em mais de 10% das cidades catarinenses estão sendo comercializadas cervejas com foco na qualidade.

Blumenau, como berço desta atividade, está buscando o reconhecimento como Capital Nacional da Cerveja. Falta apenas a aprovação no Senado. Doze cervejarias da Grande Florianópolis e região acabaram de criar o programa Eu Bebo Cerveja Local, que estimula o uso de growlers (garrafas retornáveis específicas para transporte de chope) para que o consumidor possa aderir à cultura cervejeira com descontos especiais e conheça as marcas produzidas perto da sua casa. Há ainda o Vale da Cerveja, projeto que estimula o turismo no Vale Europeu através de visitas e degustações nas cervejarias locais que também já está sendo replicado no “Caminho Cervejeiro” na região metropolitana da capital. Isso sem contar o esforço individual de cada marca.

Vale ressaltar que toda essa movimentação só acontece porque temos aqui dois grandes diferenciais. O primeiro é que a maioria dos nossos empreendedores reúne a preocupação com a gestão do seu negócio à paixão pela cerveja. O segundo é que graças a uma cultura já arraigada, temos aqui um consumidor que está acima da média nacional em conhecimento sobre a bebida e que estimula nossas cervejarias a irem cada vez mais longe. Um brinde!

Bares e cervejarias de Florianópolis (SC) lançam movimento Eu Bebo Cerveja Local

eu bebo cerveja local

Foi partindo da observação sobre o uso de growlers (garrafas retornáveis com fechamento hermético utilizadas para que o consumidor leve o chope para casa), que um grupo de bares e cervejarias de Florianópolis (SC) decidiu criar um movimento que estimule as pessoas que gostam de cerveja a provarem os rótulos produzidos na região.

Chamada de Eu Bebo Cerveja Local, a iniciativa tem uma dinâmica simples: em 13 bares e cervejarias, é possível adquirir uma garrafa de 1 litro por R$ 10,00. Em seguida, é só baixar o aplicativo homônimo, disponível para iOS e Android, e conferir quais são os pontos de recarga mais próximos, com horários de funcionamento, chopes disponíveis e valores.

De acordo com um dos idealizadores, Idney José da Silva Jr. (conhecido como Nuno), o movimento começou a sair do papel com a compra coletiva de 2,5 mil growlers. Eles chegaram há cerca de um mês e um novo pedido já foi feito. “O resultado está muito acima do que esperávamos. Mas vamos mais longe: queremos inundar a região com marcas locais e oferecer uma alternativa barata para que o consumidor possa valorizar o que é produzido aqui”, diz.

Outro benefício é que ele consome a cerveja na pressão, sem o processo de pasteurização. “É uma bebida considerada mais fresca e que dura até sete dias na geladeira”, complementa Nuno.

A Associação das Micro Cervejarias da Santa Catarina (Acasc) já se posicionou favorável ao movimento. “A iniciativa foi apresentada na nossa última reunião e gerou outras várias ideias para os associados presentes. Vamos estudar possibilidades de levar o Eu Bebo Cerveja Local para todas as regiões do estado”, confirma o presidente da entidade, Carlo Lapolli.

Participam atualmente do Eu Bebo Cerveja Local os bares Liffey Brewpub, Books & Beers, Coza Bar, DesteHop Chopp, Bar Ilustríssimo e O Viking. As marcas integrantes são: Cervejaria da Lagoa, Cervejaria Vodu, Cervejaria Cozalinda, Cervejaria Kairós, Cerveja Sambaqui, Klaus Bier, Cervejaria Armada, Cervejaria Unika e Liffey..