Associação das Micro Cervejarias Artesanais de Santa Catarina

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[Artigo] 10 dicas para um cervejeiro cigano

Por Carlo Lapolli
Presidente da Acasc

 

Quando a paixão cresce e a vontade de transformar seu hobby em negócio inicia, o cervejeiro caseiro tem que buscar algumas informações. Afinal, entrar em um mercado competitivo como o da cerveja, demanda conhecer bem o seu consumidor e especialmente as regras de negócios aplicáveis. A tributação da cerveja, por exemplo, é das mais complexas do Brasil. Cada estado da federação tem uma tributação própria de ICMS. Isso demanda conhecimento e estudo.

Aqui vão algumas dicas para quem quer empreender nesta área.

1) Legalize-se. Fazer cerveja em casa não é ilegal. Porém, comercializar a sua cerveja não é permitido. Para vender sua produção, o cervejeiro deve estar registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Além disso, você tem que ter uma empresa, um CNPJ, que segundo a atual legislação não pode ser uma empresa do regime “simples”.

2) Para ser cigano, você não precisa ter uma fábrica. Na verdade, você vai produzir em uma fábrica legalizada e “comprar” sua produção para revender. A fábrica cuidará dos trâmites burocráticos do registro de sua receita. Faça um contrato deixando claro as obrigações de cada parte.

3) Pense além da cerveja. A cerveja, o produto em si é importante, mas tão importante quanto o que vai dentro da garrafa, é todo o conceito de sua marca. Registre sua marca. Existem escritórios de marcas e patentes que vão lhe auxiliar para ter o registro e a proteção para que ninguém utilize indevidamente a sua

4) Pense em todos os atributos de sua cerveja. É importante na definição da receita e escolha de estilo de seu mix de produtos, que você enxergue além da própria cerveja. Pense na identidade visual, no seu rótulo, no tamanho do vasilhame, no preço que o produto vai chegar ao mercado, na comparação com a concorrência e na comunicação com o consumidor. Uma boa agência de marketing vai lhe ajudar muito.

5) Tenha souvenirs bacanas. Lembre-se que o faturamento de sua “Cervejaria Cigana” pode vir não só da cerveja em si, mas da exploração de outros itens e souvenirs de sua marca. Com pouco dinheiro, você consegue ampliar o seu faturamento e alavancar suas vendas. A percepção do consumidor também vai melhorar com um mix de souvenirs legais.

6) Tenha uma sede. Mesmo que você não tenha a cervejaria, você precisará de um espaço. Lógico que você poderia armazenar o seu estoque no quarto de costura de sua mãe. Mas isso não é profissional. Pense em ter uma sede, um local que você possa montar um showroom com toda sua linha de produtos, ter uma pequena câmara fria para barris, e eventualmente até um bar. Lógico que o bar exige um maior investimento, mas se não der, tenha pelo menos um local que você possa promover um dia de recarga de growler, por exemplo.

7) Coloque todas estas ideias no papel. Fazer um plano de negócios, planejando suas metas de vendas, preço de mercado e expectativas de aumento de produção são fundamentais. Se o hobby se tornará sua profissão, pense em quanto você precisará ganhar para trabalhar pela sua empresa. As vezes, uma boa ideia pode não ser viável financeiramente. Faça contas e discuta seu plano com alguém experiente em negócios.

8) Entenda muito bem dos tributos. Como falamos, a parte mais sensível da venda de cervejas é a tributação. Entenda quais os seus custos tributários, e quanto custará vender para outros estados. Quando você é cigano, a fábrica que produziu para você já terá recolhido os tributos e inclusive o ICMS ST. Ou seja, se você vender para dentro do estado, não haverá uma nova tributação de ICMS, mas se você vender para fora, deverá pagar uma diferença. Peça auxílio para o seu contador para montar uma tabela simulando as vendas para os estados que serão seu mercado alvo.

9) Aproxime-se das cervejarias e dos cervejeiros caseiros. As associações das cervejarias como a Acasc, de Santa Catarina, já permitem a participação das ciganas em seus quadros. Participar de uma associação reforçará sua marca e ajudará você com a troca de experiências. Da mesma forma, mantenha um laço estreito com os cervejeiros caseiros. Se você veio desse movimento, terá feito um bom número de amigos. Os caseiros são nosso mercado primário e além de consumirem boas cervejas artesanais, são multiplicadores e formadores de opinião.

10 ) Jamais venda sua produção caseira. Pode parecer tentador vender uma produção. Eventualmente, rachar a produção de uma leva é aceitável, faz parte para manter o hobby. Mas o que não pode acontecer é rotular sua cerveja e manter pontos de vendas fixos como se fosse uma cervejaria. Além de ser ilegal por não estar registrado no MAPA, você está praticando uma concorrência desleal. Pode ter os produtos apreendidos e gerar uma autuação para si e inclusive para o ponto de venda que comercializa este produto. Pense que muitas cervejarias estão surgindo fruto da dedicação de quem está fazendo a coisa de forma correta. Além do próprio registro do MAPA (que não é complicado) a venda de cerveja “pirata” é feita de maneira irregular, sem nota fiscal e com sonegação fiscal. Lógico que num mercado onde o produto sofre até 50% de tributação, vender sem nota um produto irregular é concorrência desleal. Existem nanocervejarias que produzem menos de 2 mil litros por mês e estão regularizadas. Pense como seria desleal você não ter nenhuma obrigação legal e nenhum imposto para pagar frente a este cervejeiro. Se você não concorda com a legislação atual, lute para mudá-la, e não para burlá-la.

Bares e cervejarias de Florianópolis (SC) lançam movimento Eu Bebo Cerveja Local

eu bebo cerveja local

Foi partindo da observação sobre o uso de growlers (garrafas retornáveis com fechamento hermético utilizadas para que o consumidor leve o chope para casa), que um grupo de bares e cervejarias de Florianópolis (SC) decidiu criar um movimento que estimule as pessoas que gostam de cerveja a provarem os rótulos produzidos na região.

Chamada de Eu Bebo Cerveja Local, a iniciativa tem uma dinâmica simples: em 13 bares e cervejarias, é possível adquirir uma garrafa de 1 litro por R$ 10,00. Em seguida, é só baixar o aplicativo homônimo, disponível para iOS e Android, e conferir quais são os pontos de recarga mais próximos, com horários de funcionamento, chopes disponíveis e valores.

De acordo com um dos idealizadores, Idney José da Silva Jr. (conhecido como Nuno), o movimento começou a sair do papel com a compra coletiva de 2,5 mil growlers. Eles chegaram há cerca de um mês e um novo pedido já foi feito. “O resultado está muito acima do que esperávamos. Mas vamos mais longe: queremos inundar a região com marcas locais e oferecer uma alternativa barata para que o consumidor possa valorizar o que é produzido aqui”, diz.

Outro benefício é que ele consome a cerveja na pressão, sem o processo de pasteurização. “É uma bebida considerada mais fresca e que dura até sete dias na geladeira”, complementa Nuno.

A Associação das Micro Cervejarias da Santa Catarina (Acasc) já se posicionou favorável ao movimento. “A iniciativa foi apresentada na nossa última reunião e gerou outras várias ideias para os associados presentes. Vamos estudar possibilidades de levar o Eu Bebo Cerveja Local para todas as regiões do estado”, confirma o presidente da entidade, Carlo Lapolli.

Participam atualmente do Eu Bebo Cerveja Local os bares Liffey Brewpub, Books & Beers, Coza Bar, DesteHop Chopp, Bar Ilustríssimo e O Viking. As marcas integrantes são: Cervejaria da Lagoa, Cervejaria Vodu, Cervejaria Cozalinda, Cervejaria Kairós, Cerveja Sambaqui, Klaus Bier, Cervejaria Armada, Cervejaria Unika e Liffey..